sábado, 14 de janeiro de 2023

Lisboa em 7 dicas

Fazia algum tempo que Portugal estava no meu radar, mas com o preço do Euro nas alturas, eu acabava sempre adiando.

Lisboa ao amanhecer
Mas, em 2022 decidi que iria me programar e guardar o valor necessário para viajar e em novembro embarquei para terrinhas portuguesas.

Fiquei hospedada em Lisboa por 7 dias - e já dou um spoiler: é pouco! - mas era o tempo que eu tinha de férias, então aproveitei o máximo que pude tanto da capital quanto das cidades mais próximas.

Café À Brasileira
Então, compartilho com vocês algumas dicas de locais que visitei e gostei muito!

1) Em Lisboa, curta muito o Bairro do Chiado. Eu tirei um sábado todo para ficar andando a pé por lá, me perdendo por suas ruas charmosas. 

No Chiado você conhecerá:

  • Conhecerá a livraria mais antiga do mundo, a Bertrand do Chiado, que está em atividade desde 1732;
  • Encontrará a estátua de Fernando Pessoa no Café À Brasileira - aliás, recomendo muito o almoço lá!

2) Do Chiado eu fui a pé para o Bairro Alto. Nessa região, você terá uma vista linda da cidade a partir do Miradouro São Pedro de Alcântara e conhecerá o Ascensor da Bica, que foi criado em 1892.

Pátio do Mosteiro dos Jerônimos
3) Outra parte imperdível de Lisboa é o Bairro Belém, onde voê poderá visitar a Torre de Belém, o belíssimo Mosteiro dos Jerônimos e a igreja de Santa Maria de Belém. No Mosteiro dos Jerônimos você encontrará os túmulos de personagens bastante importantes da história e da literatura, como Vasco da Gama, Alexandre Herculano, Luís de Camões e Fernando Pessoa.

É nessa região que você encontrará o famoso pastel de belém - isso porque os pastéis de nata são encontrados em todo país, mas somente na Loja Pastéis de Belém é que podem ser chamados com esse nome -  e o monumento Padrão dos Descobrimentos.

Praça do Comércio
e o Arco da Augusta ao fundo
Para almoçar, recomendo o restaurante Céu na Boca, que fica na rua Bartolomeu Dias 91. O atendimento é fantástico e a comida, simples, saborosa e acessível (e eu não acredito até agora que esqueci de tirar uma foto de lá!).

4) Visite a Praça do Rossio, a Praça do Comércio e o Arco da Augusta. Caminhando nessa região, almoce na Tasca Zé dos Cornos: uma tasca bastante tradicional, com refeição muito bem servida e por um preço justo. Próximo à Praça do Rossio você encontrará O Mundo Fantástico da Sardinha Portuguesa - uma loja toda temática de sardinhas e outros enlatados, que vale muito a visita.

Caso esteja animado (a) para uma caminhada no fim da tarde, conheça o Parque Eduardo VII. Mas, se você curte mesmo é bater perna vendo lojas, a Avenida da Liberdade concentra todas as lojas de luxo que você pode imaginar: Louis Vuitton, Gucci, Dior e por aí vai...

Castelo de São Jorge
5) Castelo de São Jorge, fundado no século XI é testemunho do apogeu árabe na região, preservando as memórias da vida dos habitantes da colina onde nasceu a cidadela fortificada. No castelo, residiam  as elites que comandavam a vida política, administrativa, religiosa e militar da cidade árabe.


Logo ao lado do castelo, você encontrará a Casa Portuguesa do Pastel de Bacalhau. Prove o bolinho - lá chamado de pastel - acompanhado de uma boa taça de vinho do Porto.

Santuário de Fátima
5) Estando em Lisboa, visite Fátima. Partindo do terminal rodoviário 7 Rios, você pagará 13 euros e chegará em Fátima em aproximadamente 1 hora e meia. Recomendo sair nos primeiros horários da manhã, assim poderá percorrer o Santuário e a casa dos Pastorinhos com bastante calma. Eu saí de Lisboa 8:30 e cheguei às 10, mas, em uma próxima oportunidade, com certeza iria mais cedo para aproveitar mais.

Em Fátima, dedique pelo menos 4 horas ao Santuário, sendo 1 hora para a missa e as demais para conhecer a igreja, o local da aparição, a catedral nova. É um local muito emocionante, vale a pena aproveitá-lo com tranquilidade.

Bem próximo ao Santuário você encontrará dezenas de lojinhas de souvenir e retaurantes com preços acessíveis.

Para visitar a casa dos Pastorinho, realize o Caminho dos Pastorinhos. Colocando no GPS do celular, você encontrará a rota facilmente e é um lugar de muita paz. Eu fiz a caminhada até o local da aparição de Nossa Senhora, das aparições do Anjo, depois desci até a casa de Lúcia e por último, a casa de Jacinta e Francisco.

Se eu tivesse mais tempo teria feito o percurso todo do Calvário Húngaro, por isso recomendo chegar à cidade mais cedo.

Boca do inferno
6) Outro bate-volta que não pode ficar fora do seu roteiro é Cascais. Para chegar em Cascais, basta pegar o comboio (trem) que parte da Estação Cais do Sodré a cada 15 minutos, sendo um trajeto curto, de aproximadamente 40 minutos (30 km). Ao chegar em Cascais, alugue uma bike do lado de fora da estação de trem (é mais barato do que dentro da estação) e pedale acompanhando a orla até a Boca do Inferno, um dos principais pontos turísticos de Cascais. A boca do inferno é uma formação rochosa que, antigamente, era uma gruta; entretanto, com a força da arrebentação, a água foi esculpindo a rocha, que tomou a forma de um arco.

Se você pedalar pouco mais 1 quilômetro para frente da Boca do Inferno, sentido farol, você chegará à Escola de Escalda da Guia, um local que oferece 95 vias de escalada e de onde é possível sentar e observar o mar. Descendo a escadaria que margeia os paredões, você chega até o mar. Entretanto, não é acosnselhável se aproximar, pois a arrebentação é forte no local e você pode ser levado pelas águas. Mantenha uma distânia segura da água.


7) Visite Sintra! Sim, Sintra é realmente imperdível e eu fiquei com a sensação de que precisaria de mais uns 3 dias por lá, pelo menos.

Castelo dos Mouros
É que Sintra tem muitos pontos turísticos para visitar e que demandam tempo para que sejam realmente bem aproveitados.

Para chegar até Sintra, pegue um trem na Estação do Rossio (que de tão bonita a fachada, acabei passando batido pois não percebi que era uma estação). Os comboios (trens) partem a cada 20 minutos e o trajeto de aproximadamente 40 minutos (30 km).

Ao chegar em Sintra, saindo da estação logo na rua paralela há os pontos de ônibus, onde é possível pegar as linhas 403, 433, 434 e 435, que percorrem os principais pontos turísticos. Você pode comprar o ticket que vale por 24 horas e utilizar qualquer uma dessas linhas durante todo o dia.

Eu escolhi 02 pontos para visitar: o Castelo dos Mouros e a Quinta da Regaleira.

O Castelo dos Mouros, construído no século X, fica entre as florestas de Sintra, com uma vista linda do vale e da cidade. Reserve pelo menos 2 horas e meia para visitá-lo e ler todas as informações sobre o local com tranquilidade.

Poço Iniciático
na Quinta da Regaleira
Já a Quinta da Regaleira é o lugar mais enigmático que já visitei: jardins incríveis e selvagens ao mesmo tempo, palácio, igreja, estátuas, uma intrigante rede de túneis subterrâneos interligados e um misteriooso poço, chamado de Poço Iniciático. Reserve pelo menos 4 horas para visitar a Quinta.

Aproveite para almoçar no restaurante que há no local, tomando uma deliciosa taça de vinho enquanto contempla as belezas desse lugar.

Essa são as minhas dicas para quem vai passar 7 dias em Lisboa! Se você já esteve lá, deixe mais dicas de locais para visitar aqui nos comentários.






sexta-feira, 19 de novembro de 2021

Museu egípcio em Canela

A história do Antigo Egito tem despertado nossa curiosidade por milhares de anos. E mergulhar nessa história é também mergulhar no belo e no luxuoso, expressos em suas construções, em seus ritos, adornos e vestimentas.

Saindo de Gramado sentido Canela, na RS 466 - mais conhecida como Estrada do Caracol - algumas placas sinalizam para existência do Museu Egípcio - uma construção temática que fica a beira da rodovia, sendo impossível passar despercebido por ela.

Resolvi parar para conferir o que o museu oferecia. Já na entrada, uma das mocinhas da recepção informa que se trata do maior acervo egípcio de toda a América Latina (só não informa que se tratam de réplicas).

Nesse ponto, creio que a comunicação tanto lá presencialmente quanto no site é um pouco obscura: tanto ao adquirir o ingresso quanto ao pesquisar no site posteriormente, não fica claro o quanto do acervo é réplica ou se há alguma peça realmente original.

As peças são de autoria do artista plástico egípcio Essam Elbattal e muitas delas refletem, em tamanho real as obras da época: sarcófagos, esculturas de deuses e faraós, joias, paredes adornadas. Há ainda uma pirâmide com câmara mortuária e múmias, representando os rituais funerários. 

O passeio é auto guiado e as peças contam com plaquinhas informativas. Ao final, há uma loja de souvenir com peças importadas do Egito, conforme informação da vendedora.

Embora a estrutura do pavilhão e a própria organização das informações referentes às peças careçam ainda de algumas melhorias, é um passeio interessante para quem gosta de  história e também para famílias com crianças em idade escolar.


O Museu Egípcio de Canela fica aberto de segunda a domingo, das 9h às 18h e mais informações sobre valores de ingresso, fotos e vídeos, podem ser acessados diretamente na página do museu, que está sempre atualizada.


sábado, 13 de novembro de 2021

Coffee Tour - Cuesta Café

Recentemente , após realizar uma trilha no município de Bofete, eu e mais dois amigos (Silvia e Heverton) decidimos conhecer o Cuesta Café, localizado no município vizinho, Pardinho.

Muito frequentado por motociclistas, o ambiente oferece uma linda vista, mesas ao ar livre e um lindo lago.

Ao fazer meu pedido, observei que na parede havia informações sobre um "Tour do Café"; anotei o cel indicado e fiz contato para saber sobre o que se tratava.

O "Coffee Tour" ou "Tour do Café" é um passeio que só acontece em finais de semana e que necessita de agendamento prévio, pois depende de condições climáticas favoráveis, já que na maior parte do tour ficamos expostos ao tempo.

Mas não se preocupe! Se você agendar seu passeio e tiver previsão de chuva para o final de semana, eles remarcam a data (aconteceu comigo).

O ponto de embarque para essa experiência é no totem: é de lá que parte o trenzinho puxado por um trator e um simpático senhorzinho como condutor.

Confesso que senti uma saudade imensa dos meus avós paternos, tão logo sentei no trenzinho. Passando pelos pés de café, era impossível não reviver tantas lembranças da minha infância.

O trenzinho adentra a Fazenda São Pedro do Pardinho, passando pelo berçário de mudas, que no momento da nossa visita (outubro de 2021) contava com 250 mil mudas de 4 variedades diferentes. Dependendo da época do ano, pode ser que não haja mudas no berçário e então o passeio não conta com essa etapa.

Da mudinha até a primeira "carga", o tempo estimado é de cerca de 2 anos a 2 anos e meio. E assim, seguimos para a plantação em si, para visitar os pés de café jovens e adultos.

Como a fazenda está localizada em terras altas (entre 900 e 1000 metros de altitude), há também alguns cultivos que ajudam a  "quebrar o vento", como o abacate e a bananeira, por exemplo. Além disso, há plantio de aveia, utilizada como adubo verde para a plantação de café. 

A altitude, o clima, as precipitações, constituem um terroir favorável para a produção de cafés especiais, alguns dos quais são premiados, inclusive.

Colheitadeira por vibração 
Depois de visitarmos a plantação em si, seguimos para a próxima etapa do processo produtivo, a colheita. 

Há 3 tipos de colheita: a seletiva, derriça e colheitadeira por vibração.

Na colheita seletiva, apenas os frutos maduros são colhidos, praticamente um a um. Já a derriça é o ato de puxar todos os frutos dos galhos, estejam eles ainda verdes ou maduros (era esse que praticávamos na casa dos meus avós). E o processo automatizado, feito via colheitadeira por vibração, no qual a máquina passa pelas "ruas" do cafezal e umas espécies de varinhas (foto) vão vibrando entre os pés, provocando a queda dos frutos em uma esteira na própria máquina.

Lavagem
Após a colheita, os frutos passam por um processo de lavagem, que além de retirar as impurezas, também serve para separar os frutos em função da sua densidade: aqueles chamados "bóia", composto por frutos imaturos ou mal formados e os "cereja", que por estarem mais maduros e formados, são mais densos. 

Lavados, os frutos vão para a secagem, que normalmente acontecem nos terreiros. Entretanto, a secagem também pode acontecer em secadores, quando o clima não está favorável para a exposição nos terreiros ou quando há urgência na secagem, por exemplo.

Os frutos podem passar pela secagem natural (cereja natural) - ainda com suas respectivas cascas - ou pela secagem sem as cascas (processo cereja descascado). 

Torra
Da secagem, os frutos vão para o beneficiamento e depois seguem para a torra, que é conduzida por uma mestre de torra. 

Eu gosto muito de café mas confesso que não sou uma grande conhecedora do assunto. Mais recentemente é que venho me interessando, lendo mais, procurando provar novos sabores. E uma das descobertas desse passeio é a diferença surpreendente entre o café comprado já moído e o grão moído na hora. O aroma e sabor são totalmente diferentes!

Na sequência, fomos convidados a degustar um micro lote da variedade acaiá. (lembra das frutinhas colhidas seletivamente? São elas que dão origem aos micro lotes).

Degustação micro lote acaiá
Gente...acho que eu nunca havia provado um café tão maravilhoso! Fiquei apaixonada! Saí de lá com alguns pacotinhos comprados e agora estou adquirindo os apetrechos para moer os grãos e explorar novas formas de preparo aqui em casa.

Se você também gosta de um bom cafezinho, compartilha nos comentários dicas de cafeterias ou passeios com essa temática. 

Quem sabe tomamos uma xícara juntos!



terça-feira, 2 de novembro de 2021

Celeiro do café

Área externa do Celeiro do Café
No post anterior eu comentei sobre como a minha relação de amor com o café vem desde a infância - muitas memórias afetivas - e dos laços familiares.

Isso não significa, entretanto, que eu sempre tenha apreciado a bebida. Enquanto jovem, achava que o café era coisa de gente velha. 

Mas o tempo vai passando e a gente vai aprendendo a apreciar coisas que não faziam muito sentido na juventude. Café é uma delas.

Celeiro do café
Então, sempre que é possível, eu gosto de conhecer lugares que me possibilitem experimentar um bom cafézinho ☕


Em setembro, visitei o Celeiro do Café, que fica na estrada municipal que liga Brotas ao Distrito de Patrimônio, bem em frente ao Parque Recanto das Cachoeiras.

Com uma pegada rústica e o cheirinho da torra perfumando o ar, o Celeiro oferece um cafezinho gostoso coado na hora, bolos, degustação de queijos, doces e cachaças.

E você pode sentar na área externa e curtir a paisagem, que é muito bonita e tranquila.

Se você é da região de Bauru/Jaú, salva essa dica pois vale muito a visita ❤️



Café com história

"Vamo colher o café! ". Era com essa frase que meu avô, um homem moreno, baixinho e magro, chamava os netos para a colheita, que era uma verdadeira festividade.

Cá estou eu nessa foto, sob o lendário pé de café, de tantas colheitas na minha infância. Minhas melhores lembranças são desse lugar, inclusive.
Como eu gostaria de ter mais fotos e vídeos desses momentos. Mas onde faltam gravações, sobra a memória, que reproduz tudo em cores vívidas, sons e cheiros (e por que não, lágrimas nos olhos, de tanta saudade).

Depois da colheita, onde puxávamos enlouquecidamente os galhos fazendo a derriça, desdobrava-se todo um ritual, que durava muitos dias.

Os grãos eram esparramados no quintal e ficavam secando ao sol, sobre grandes peneiras.

O cheiro da torra que era sentido assim que pulávamos o muro do quintal (nunca usávamos o portão, era um ritual pular o muro, que eu conto em outra história)...

O ranger lento e cadenciado do moedor de café sendo girado pelas mãos do meu avô, enquanto ele ouvia o jogo do Palmeiras no rádio de pilhas.

Aos domingos, ele comprava rosca doce, guaraná de garrafa e minha avó passava o café - cujo cheiro se espalhava por toda casa e pelo quintal arborizado - para receber os filhos e netos. E a casa ficava cheia, colorida, barulhenta e feliz.

E é curioso que só recentemente eu percebi o quanto o café fez (e faz) parte de toda a minha vida.

Meus pais trabalharam a maior parte da vida numa tecelagem de sacarias de café. Meu primeiro emprego foi em uma tecelagem também, costurando sacarias feitas de juta.

E pensando nessas histórias, decidi incluir nos meus roteiros turísticos alguns passeios relacionados a essa bebida tão amada por todos nós!

Fiquem de olho aqui no blog, pois tem muita coisa legal para compartilhar com vocês!




sábado, 24 de julho de 2021

Pra que mar, se Minas tem Capitólio, uai?

Vou começar esse texto com uma polêmica das bravas!

Cidade refletida no lago
Os amantes de praia que me perdoem, mas quem precisa de mar quando se tem cachoeira?

Postei e saí correndo, mas já estou de volta para escrever sobre as belezas de Capitólio.

Com pouco mais de 8 mil habitantes, Capitólio é uma das 34 cidades banhadas pelo Lago de Furnas - um dos maiores lagos artificiais do mundo - apelidado carinhosamente de Mar de Minas,
correspondendo a aproximadamente 5 baías de Guanabara.

Fiquei 2 dias e meio na cidade (09,10 e 11/07/21) e já dou um spoiler: não é suficiente para explorar tanta beleza que há nesse local! E como o tempo era curto, priorizei alguns passeios que já havia pesquisado na internet e que morria de vontade de fazer: navegar de lancha pelo cânion, trilhas, cachoeiras e o famoso mirante - cartão postal da cidade.

Vamos começar pelo famoso passeio pelo Lago de Furnas! 

Passeio de lancha

Para navegar pelo Lago de Furnas há diversas opções como os passeios de lancha mais curtos (em torno de 3 horas de duração, que costumam partir da Ponte do Rio Turvo); os passeios mais longos (até 7 horas de duração), além de opções de chalanas.

Eu optei pelo mais longo (7 horas) e contratei o passeio com @alexandrecendon e @adrianagomes_0 e eu simplesmente amei o atendimento da Adriana pelo whats, as explicações que ela me deu, bem como o passeio em si. A lancha era super nova, tudo limpinho, o piloto muito simpático. Há também opções de passeios privativos e para consultar os valores, você pode contatá-los nos perfis mencionados acima.


Lago de Furnas
Partindo da Marina Escarpas (localizada na Estrada Capitólio - Escarpas do lago, km 02, Condomínio Lago Vitória), nosso roteiro passou pelos seguintes pontos:

  • Lagão (área de maior diâmetro do lago de Furnas);
  • Cascatinha;
  • Lagoa azul - com parada de 50 minutos para banho;
  • Vale dos Tucanos - também com parada de 30 minutos para banho;
  • Cachoeirinha da ilha - 30 minutos para banho;
  • Porto Escarpas
  • Restaurante Kanto da Ilha - onde desfrutamos de um almoço maravilhoso (valor não incluso no passeio), cerveja artesanal produzida pela Cervejaria Scarpas e uma vista incrível do lago.

Durante o passeio, a lancha fez uma parada em um posto BR flutuante que possui loja de conveniência e um bar flutuante, onde é possível curtir o visual enquanto aprecia uma cervejinha gelada.

A água incrivelmente esverdeada contrasta com os paredões de quartzito de tonalidades amareladas, num cenário de tirar o fôlego! As quedas d'água, com volume de água bem baixo por causa da estação seca, contrastando com o céu incrivelmente azul de inverno, completava as paisagens entre os cânions. 

Confesso que desci da lancha ao final do passeio completamente deslumbrada.

Trilhas e cachoeiras

No Limite
No dia seguinte (sábado 10/07), optei por fazer algo que gosto muito: trilhas e cachoeira.

Aqui vale um adendo importante: a maioria das cachoeiras de Capitólio fica em propriedades particulares e portanto, a entrada é paga.

O EcoParque Trilha do Sol - um complexo que possui infraestrutura com banheiro, piscina, restaurante, monitores, redário - oferece uma trilha
de nível fácil, que acessa 3 cachoeiras em seu percurso: No Limite, Do Grito e Poço Dourado.

O horário que você inicia a trilha determina a ordem da visitação das cachoeiras, mas não se preocupe, pois os monitores irão orientá-lo sobre qual caminho fazer!

Como cheguei cedo (9 horas), iniciei pela Cachoeira No Limite, que eu elegi a mais bonita de todas, embora não seja a mais famosa.

Como o próprio nome da trilha sugere, o sol bate a pino durante a caminhada, pois a vegetação típica de cerrado não oferece grandes sombras. Portanto, proteja-se utilizando protetor solar e bebendo bastante água. É bem fácil desidratar e nem perceber, pois como o clima está bem seco, nosso suor evapora rapidamente e não percebemos que estamos perdendo muito líquido.

Do Grito
A segunda cachoeira visitada foi a Do Grito, que oferece uma área com um piscina natural que estava relativamente baixa (creio que pela estação de seca) e abaixo da queda d'água era possível caminhar até uma pequena "prainha".

Por último, a famosa cachoeira do Poço Dourado, que recebe esse nome por causa da coloração que seu poço adquire com a incidência da luz solar nos paredões amarelados, que refletem sobre as águas. Entretanto, para chegar ao poço dourado, é necessário percorrer um caminho de aproximadamente 80 metros pelas águas gélidas, cuja profundidade varia da canela à cintura (para pessoas baixas como eu, que tenho 1,57 de altura).

Santuário Poço Dourado
O poço dourado guarda outra preciosidade além de sua cor mágica: os paredões de quartzito foram transformados em um santuário pelos visitantes: cada pessoa pode colher as pedras do leito do poço e empilhá-las, construindo um "totem". Reza a lenda que se você fizer o seu pedido e o totem não desmoronar, o pedido será alcançado. Por via das dúvidas, criei o meu totem, projetei nele meu desejo e quero voltar daqui um tempo para contar se ele se realizou ou não.

Finalizando a trilha e as visitas às cachoeiras, super recomendo o restaurante do local e deixo aqui as minhas indicações do Porco na lata e da Tilápia recheada com palmito e queijo, acompanhada de arroz verde. Para os vegetarianos e veganos, também há opções. 

Cartão postal

Mirante do Cânyon

O mirante do cânion é considerado o cartão postal de Capitólio. Saindo do EcoParque Trilha do Sol, basta seguir a MG 050 até o km 312 para acessar o Parque Mirante dos Canyons (consulte valores de entrada e horário de funcionamento atualizados diretamente na página do parque).

Lá é possível fazer duas pequenas trilhas: uma que leva até a Ponte Pênsil e ao mirante - sendo este o mais tradicional e o que vemos nas fotos dos turistas -  e outra que leva a um novo mirante, suspenso no vale por meio de uma plataforma.

Mirante da hidrelétrica de Furnas

Mirante de Furnas
Para quem quer uma opção gratuita, basta seguir sentido Passos e acessar a hidrelétrica de Furnas. Lá também há um mirante para o vale, embora não com uma vista tão privilegiada como o do parque do cânyons. Dizem que o pôr-do-sol lá na hidrelétrica é incrível, mas como eu saí do Parque Mirante dos Canyons com o sol avançado no horizonte, não arrisquei ir à usina. Como ela ficava no meu caminho de volta, passei em Furnas quando estava retornando à São Paulo. 

A visita vale pela magnitude da obra e pela vista, embora o nível da água estivesse bem baixo por conta da estação seca.

Não podia faltar o queijo, uai!

Visitar Minas Gerais e não comer um queijo e um doce de leite é quase um desaforo!

Um rapaz simpático me deu a dica do Empório Queijos Califórnia quando eu estava na Trilha do Sol e eu digo que vale a pena passar por lá quando estiver retornando à Capitólio, já que o empório fica na mesma rodovia da Trilha do Sol e do Mirante dos Cânyons.

Lá você poderá degustar diversos queijos, doce de leite, goiabada e levar um "trem" bem gostoso para casa!

Hospedagem em Capitólio

Chalé Recanto das Garças
Eu sou adepta das hospedagens mais aconchegantes, onde eu tenha a sensação de que estou na minha casa. Por conta do cenário de pandemia, também tenho preferido lugares mais privativos, nos quais eu não tenha tanto contato com outras pessoas.

Recebi a indicação de uma amiga que conheci em Cunha/SP de um chalé. Desde o primeiro contato, a Rose foi muito atenciosa, me enviou fotos e eu fiquei apaixonada!

Tudo foi impecável! Limpeza nota 10, a localização bem pertinho do centro, fácil acesso, confortável e com preço excelente. Me senti realmente em casa e por isso vou deixar a indicação aqui: Chalé Recanto das Garças.

E você? Já conhece o Mar de Minas Gerais? Se não conhece, anota aí na sua agenda e se programe para fazer uma visita a Capitólio!

Garanto que você vai se apaixonar!


domingo, 4 de julho de 2021

Cunha: uma cidade repleta de história, arte e natureza!

Estamos vivendo há um ano e meio um cenário de pandemia e embora a nossa vontade de viajar não tenha desaparecido, as possibilidades ficaram sim, um tanto restritas.

Enquanto não é possível retomar as longas horas de voo e os destinos mais distantes, a gente acaba (re) aprendendo a lançar um olhar para o quintal de casa: viagens mais curtas, de carro, dentro do nosso próprio estado ou estados vizinhos.

Confesso que fiz algumas descobertas turísticas interessantes nesse período. Eu, que sempre gostei muito de trekkings e contato com a natureza, passei a explorar um pouco mais esse tipo de roteiro. 

Visitei o Parque Nacional do Itatiaia - estou devendo um post aqui, mas breve postarei; fiz um pedal insano em Campos do Jordão, longe da badalação característica do centro da cidade; fiz algumas trilhas pela Cuesta em Botucatu e mais recentemente, fui explorar Cunha, uma cidade no Vale do Paraíba que acabou me surpreendendo muito pela variedade de opções de passeios para realizar.

Vamos conhecer um pouquinho mais dessa cidadezinha pitoresca?

Cunha fica localizada na Região do Vale do Paraíba e de lá é possível acessar rapidamente o estado do Rio de Janeiro, chegando até Paraty. Isso mesmo! Se você tiver tempo, vale a pena dar uma esticada e fazer uma dobradinha entre essas duas cidades.

Com pouco mais de 20 mil habitantes, a cidade em si não é uma das mais bonitas que já visitei.

Você tem sempre a impressão de que vai despencar de algum morro caso você faça alguma curva rápido demais pelas ruas estreitas. E provavelmente vai mesmo! A cidade se estende por um vale e tem cada subida e descida por lá que não é brincadeira. 

Mas vamos aos atrativos turísticos!


Cunha é repleta de história e natureza. Alguns trechos da Estrada Real, que era utilizada para transportar ouro e pedras preciosas de Minas Gerais para Paraty, passam por Cunha. Confesso que ainda quero dedicar um tempo para percorrer essa estrada, mas esse é tema para uma próxima viagem!

Eu cheguei até Cunha movida pela curiosidade de conhecer o Lavandário, após a leitura de um livro escrito por um amigo, que mencionava esse lugar. Isso mesmo! Em Cunha há um cultivo de lavandas com mais de 40 mil pés de diversos tipos e há flores durante todo o ano

para se observar, devido o sistema de poda rotativa.

  • Lavandas

O Lavandário fica na estrada Paraty-Cunha e as visitações são abertas de sexta a domingo. Vale muito a pena pela beleza do lugar, que tem uma vista maravilhosa para o vale. Também é possível comprar produtos à base de lavanda e outras flores como gerânio, verbena e também experimentar algumas delícias que levam a lavanda em suas receitas, como sorvetes, cafés e bolos. Valores, horários e outras informações, podem ser consultadas na página do Lavandário.

  • Arte cerâmica


Desde 1975, quando recebeu os fornos Noborigama, a  cidade também passou a ser uma referência em arte cerâmica de qualidade. No Brasil, há pouco mais de 20 desses fornos, sendo que 6 deles encontram-se em Cunha. Eu visitei o Ateliê Suenaga & Jardineiro e lá é possível observar o forno. Além do Suenaga, há vários ateliês para visitação e aquisição de peças lindíssimas!

Cerveja

Na mesma estrada do Lavandário é possível encontrar o Ateliê da Cerveja

Caminho do Ouro, onde são servidas cervejas artesanais com aromas nobres e marcantes, feitas com insumos de altíssima qualidade, segundo a página do ateliê. Eu realmente gostei muito da cerveja, do ambiente e também da comida. Recomendo provar a truta ao pesto de pinhão, simplesmente maravilhosa! Eles também possuem um deck superior onde é possível assistir ao pôr do sol, que é um espetáculo a parte. 

  • Belezas naturais

Cunha é cheia de atrativos naturais, sendo uma das portas de entrada do Parque Estadual da Serra do Mar (Núcleo Cunha). Infelizmente não tive tempo de explorar o parque, por isso quero retornar à cidade com mais tempo. Ainda assim, é possível visitar algumas cachoeiras, que são relativamente de fácil acesso por meio de uma estrada de terra com alguns trechos de calçamento.


Minha opção foi visitar a Cachoeira do Pimenta, que possui várias quedas e uma pequena trilha íngreme bem sinalizada que leva até a cabeceira da queda, formada por uma antiga represa. Gostaria de ter visitado a Cachoeira do Desterro também, mas por algum motivo, passamos batido na placa de sinalização e não a localizamos.

Super aproveitei a cidade nas 24 horas que fiquei por lá, mas ainda há muita coisa aqui na minha listinha que eu quero fazer!

 que faltou fazer?

Trilha até a Pedra da Macela. Dizem que o nascer do sol lá é simplesmente imperdível! Do alto da pedra é possível avistar as baías de Paraty, Angra dos Reis e Ilha Grande, então, imagina só o visual incrível!

Parque Estadual da Serra do Mar: há diversas trilhas que podem ser realizadas. Algumas necessitam de acompanhamento de guia. Na página do parque há informações mais detalhadas.

Vinícola Monte Castelo: situada na mesma rodovia do Lavandário da da cervejaria, é possível degustar vinhos e fazer refeições. Eu fiquei hospedada na pousada que pertence a essa vinícola - Pousada Vinícola Vale do Vinho -  mas infelizmente lá não está acontecendo mais as degustações desde o início da pandemia.

E, pasmem! Cunha tem um Olival! Isso mesmo, um cultivo de jovens oliveiras, também aberto a visitações.

Como vocês puderam observar, Cunha foi uma caixinha de surpresas muito positiva e que merece um texto parte 2 - o retorno!

Me aguardem!

domingo, 14 de março de 2021

O espírito aventureiro e a Rota Nacional 3

Quem nunca sonhou largar tudo e sair por aí, viajando, conhecendo diversos países?

Se você também já foi acometido por esses pensamentos em algum momento, não vá embora desse texto, porque ele é pra você!

Partindo da enseada Zaratiegui onde fica o Correio do Fim do Mundo, nossa próxima parada é a baía Lapataia, que marca o final da Rota Nacional 3. Mas afinal, o que isso tem de tão especial?

Panamerican highway

 A rota panamericana liga o Fairbanks no Alasca - América do Norte a Ushuaia na Argentina - extremo sul da América do Sul e é uma das maiores extensões rodoviárias do mundo com mais de 30 mil quilômetros, interrompidos em um pequeno trecho entre Colômbia e Panamá. Em cada país por onde passa, a rota panamericana assume um nome e em solo argentino, ela é a lendária Rota Nacional 3, cujo fim é na baía Lapataia.

Para os viajantes e aventureiros de espírito livre, percorrer a rota panamericana se assemelha com o sonho da Rota 66 em solo americano, mas com um diferencial: a panamericana atravessa mais de 10 países, cruzando paisagens e culturas únicas, materializando o sonho de viajar o mundo.

E para deixar a rota ainda mais interessante, o viajante tem a possibilidade de conquistar um carimbo

especial em seu passaporte: uma metade deste carimbo se encontra em Ushuaia, no Moto Café 3005 e a outra metade na cidade de Tok, no Alasca.

Eu já garanti uma metade do carimbo! E alguém duvida que irei atrás da outra metade quando a pandemia acabar?

E você? Qual é o carimbo que você sonha ter em seu passaporte? Me conta!

sábado, 10 de outubro de 2020

O cicloturismo como uma alternativa na pandemia

 Quem me conhece bem sabe que amo viajar (quem não??? rsrs) e a pandemia do novo corona vírus afetou não apenas os nossos deslocamentos, mas algo que me impactou muito, particularmente: a capacidade de sonhar.

Por que digo isso?

Como o próprio nome desse blog diz, viajar de vez em quando é uma realidade para mim. Sou trabalhadora de carteira assinada (ainda que me aventure no empreendedorismo), bato cartão e como todo bom trabalhador, só faço uma viagem grande (10 dias) por ano e outras pequenas quando os feriados são prolongados e assim o permitem.

Mas a falta de tempo ou de dinheiro não nos impede de sonhar. A gente planeja, parcela um voo aqui, um hotel lá e vamos levando. Por mais dificuldades que encontrássemos, havia aquela certeza: no feriado do dia tal, vou para tal lugar.

Com o corona vírus isso entrou em suspenso. Não havia mais essa certeza. Não havia mais o quando. Não havia mais o plano.

Bem no comecinho de junho (antes de eu ser contaminada...sim, eu fui contaminada ainda que saísse da minha casa só par trabalhar, mas isso é história para um outro post) cheguei a fazer uma live com um grande amigo do Chile que trabalha com turismo, sobre as perspectivas de retomada. Mal sabíamos que a situação continuaria se estendendo por meses ainda e, diga-se de passagem,  San Pedro de Atacama não retomou as atividades turísticas até agora, nem mesmo flexibilizações.

Em meados de julho, passando aleatoriamente pelas postagens do Instagram vi um post do Daniel Rosalin Turismo de Jaú - minha cidade natal - sobre uma tal uma viagem para cicloturismo, que aconteceria em agosto e que se apresentava como uma alternativa diferenciada.

Confesso que não pensei duas vezes e mandei uma mensagem, dizendo que queria saber mais sobre. Afinal, o que seria o cicloturismo?

Daniel - com o qual eu já havia viajado alguns anos atrás para Porto Seguro - prontamente me encaminhou as informações solicitadas e eu achei a proposta simplesmente sensacional.

O destino: Campos do Jordão - uma cidade aqui de SP conhecida por ser a Suíça brasileira. 

A proposta: cada família viajaria com seu carro - sim, seguiríamos em comboio até Campos - como um grande grupo de amigos que se reúnem para passar um final de semana juntos.

O roteiro: realizar um passeio de bike na trilha da casa redonda. Ar livre, cada pessoa na sua bike, distanciamento. Simplesmente perfeito: turistar para pedalar!

Os únicos pontos que me causaram alguma insegurança foram: seria seguro fazer check-in, tomar café da manhã no hotel? Seria seguro me alimentar em algum restaurante? Eu aguentaria fazer o passeio tendo contraído Covid há 60 dias e estando com a capacidade respiratória tão comprometida ainda?

As dúvidas relacionadas a viagem rapidamente foram respondidas pelo Daniel, que me tranquilizou, informando que o hotel estava operando com a capacidade reduzida para não haver aglomerações; as filas de check-in e check-out organizadas com distanciamento e itens de higienização e o café da manhã estaria com o buffet self-service suspenso, tendo cada família que solicitar o que gostaria que compusesse seu café no ato do check-in, recebendo desta forma seu café devidamente embalado e protegido no dia seguinte.

Quanto a minha capacidade física para realizar o passeio, o Daniel também me tranquilizou, informando que 2 guias nos acompanhariam e que eu poderia fazer o passeio no meu ritmo.

Com todas as informações em mãos e sentindo que havia bastante segurança nos protocolos informados, fiz minha reserva!

Alguns dias antes da viagem repeti o teste de corona vírus para constatar que estava tudo ok. E então chegou o dia tão esperado: 15/08/2020! Nem acreditava que poderia finalmente passear!

Duas caminhonetes levaram as mais de 20 bikes das famílias que viajavam em seus respectivos carros.

Chegando em Campos do Jordão, controle rigoroso na entrada da cidade com aferição de temperatura, cadastro dos nomes dos turistas pela Secretaria de Saúde, orientações sobre como se proteger.

No hotel, tudo como o Daniel havia nos descrito: filas organizadas, sem qualquer aglomeração. Fomos muito bem recebidos pela equipe do hotel Dan Inn Premium e nos sentimos bastante protegidos.

Como já estava próximo das 11 da manhã, nos dirigimos de bike para o centro da cidade, rumo ao restaurante que o Daniel havia reservado: o Pátio Paris. Ocupamos o deck ao ar livre, apenas pessoas da mesma família podendo dividir a mesma mesa e com distanciamento das mesas entre si. Opções de cardápio apenas a la carte para garantir a segurança.

Logo após o almoço nos encontramos com os guias que nos conduziriam pela trilha em uma praça em frente ao restaurante. Orientações dadas, partimos para nosso passeio contando com um carro de apoio - nosso querido Homem aranha de motorista - que nos supriria com água fresca para nossas garrafinhas, além de frutas para repor as energias e alguma assistência técnica, se necessário.

A paisagem era de tirar o fôlego! Pedalando pelos mares de morros, podemos contemplar Campos do Jordão por uma perspectiva diferente do turista convencional, com uma sensação de liberdade quase que surreal depois de tantos meses trancados em nossas casas. Todos estavam muito felizes, era possível ver pelas expressões, pelas risadas.

E você deve estar se perguntando como foi a trilha para mim, pós infecção por corona vírus. Bom, confesso que foi muito, muito, muito desafiadora. Cheguei a pensar em desistir várias vezes. O ar parecia custar a entrar pelo meu corpo e o fato de estar sem fazer qualquer atividade física desde março - quando voltei de Ushuaia e a pandemia explodiu - cobrou seu preço: as pernas queimavam e o cansaço era de uma força inacreditável. Chorei algumas vezes, porque não queria desistir do pedal. Empurrei a bicicleta grandes trechos porque não conseguia pedalar - faltava ar e pernas. Mas a superação reside não apenas na nossa capacidade física mas no mental, que veio em grande parte da força do grupo, sempre me incentivando a não desistir. Havia sempre algum ciclista que ficava para trás dando um apoio moral, dizendo que eu ia conseguir.

E assim concluí os 20 quilômetros propostos com muita determinação e, principalmente, muita ajuda dos colegas de viagem.

Retornando ao hotel, confesso que não tive pique para ir a algum restaurante jantar. Alguns colegas foram e relataram que os protocolos de segurança estavam sendo cumpridos. Preferi pedir um prato por aplicativo e comer no conforto do meu quarto, visto que todos os meu músculos doíam absurdamente rsrsrsrs.

No dia seguinte, devidamente restaurada após uma boa noite de sono, seguimos em comboio por alguns pontos turísticos da cidade, como o Pico do Itapeva por exemplo.

E assim finalizamos nossa primeira viagem em tempos de pandemia, onde tivemos que nos reinventar também enquanto turistas para mantermos todos do grupo em segurança.

Obrigada equipe Daniel Rosalin pela acolhida! Estamos esperando o próximo convite para ciclo turismo!

sábado, 30 de maio de 2020

Tem que ser selado, registrado, carimbado...no Correio do Fim do Mundo!

Caminhando sobre os cascalhos da enseada Zaratiegui em Isla Redonda avistei a emblemática estrutura retangular de metal sobre uma plataforma de madeira, contrastando com as águas calmas e o céu cinzento daquela tarde de março.

Sim, eu havia chegado a um dos destinos mais desejados por mim: o Correio do Fim do Mundo.
Pode parecer besteira para você, caro leitor, mas para quem tem 17 dos seus 35 anos de vida dedicados ao serviço postal em terras brasileiras, conhecer Correios por aí é quase uma fascinação. Outros empregados dos Correios me entenderão, com certeza.

Caminhei rumo a entrada da pequenina e rústica agência postal já bastante emocionada. Dentre os destinos que paquerava na América do Sul, Ushuaia sempre teve um lugar especial no meu coração em grande parte por causa do Correio do Fim do Mundo. E lá estava eu, a poucos metros de entrar na unidade com o último serviço postal regular do mundo (mais pro Sul só tem a Antártida!!!).

Ao transpor a porta, a sensação era a de ter mergulhado em outra dimensão. 

As paredes todas cobertas por fotos, postais, souvenir e adesivos de viajantes do mundo todo que por ali passaram, conferiam ao pequeno ambiente um colorido especial, enquanto alguns aquecedores lutavam para manter o ambiente em uma temperatura agradável enquanto o vento lá fora era cortante mesmo no verão. Que lugar acolhedor! 




Lancei o olhar para o fundo do ambiente, procurando ansiosa pelo carteiro do fim do mundo e lá estava ele, atrás de um minusculo balcão: Carlos Delorenzo e a batida ritmada da carimbação que nós, empregados dos Correios, conhecemos tão bem: plunct plact, plunct plact.

Aí veio mesmo a confirmação de que havia passado para outra dimensão: com seu bigode e suas roupas características, emoldurado por fotos de Che Guevara e Eva Perón, Delorenzo simplesmente parecia saído de um filme de época, casando perfeitamente o personagem e o cenário. E se esse espaço-tempo tivesse uma trilha sonora, com certeza seria o "carimbador maluco" de Raul Seixas.

Diga-se de passagem, é preciso mergulhar a fundo na história de Carlos, que está a frente dessa unidade postal há mais de 20 anos. Anarquista assumido, ele que já foi maestro em Buenos Aires decidiu abandonar a vida na capital argentina para encampar a criação do correio do fim do mundo, que outrora ficava localizado no meio do canal Beagle e era utilizado por navegantes e aventureiros para enviar correspondências. Com o avanço da tecnologia, a prestação do serviço perdeu força. A unidade postal migrou então para Isla Grande, o que favoreceu o acesso e acabou convertendo o correio em um dos pontos turísticos mais visitados em Ushuaia.

Na pequena fila, eu aguardava ansiosa a minha vez de carimbar o passaporte com a famosa estampa, cujo valor simbólico é de 3 dólares. 

Ao chegar ao balcão, coração acelerado. Sim, eu estava diante do carteiro do fim do mundo. Arriscando meu melhor espanhol, contei a ele que também trabalhava nos Correios no Brasil enquanto ele ajeitava a página do passaporte para carimbar. Ele ergueu os olhos, me fitou silencioso e continuo o trabalho, colando com carinho uma estampa adesiva que carrega sua imagem e o carimbo que preenche o restante da página. Ao finalizar, virou-se e me presenteou com um mimo e um sorriso, carinho típico de companheiros de profissão que se reconhecem.

Agradeci e cedi lugar para os demais turistas que aguardavam sua vez de obter o carimbo. 

Confesso que saí emocionada e chorei (sou meio manteiga mesmo, me julguem rs). Ficou curioso para conhecer a estampa do passaporte? Clique aqui, tem post especial sobre os carimbos encontrados em Ushuaia.

Caminhei ainda por um tempo na enseada curtindo a paisagem antes de seguir para a próxima parada: a lendária placa do final da Rota 3. Vejo você na próxima parada: a baía Lapataia.



















sexta-feira, 15 de maio de 2020

Meu encontro com Deus no Lago Fagnano

A fina névoa que tingia o céu de Ushuaia naquele 4 de março se fez presente assim que cruzei o limiar da porta da casa alugada no fim do mundo literalmente.

Estava esperando pela van que nos conduziria ao Lago Escondido e Fagnano, um passeio que confesso, fui mais por causa do meu irmão do que por curiosidade própria.

E é justamente quando não temos expectativa nenhuma, que as coisas acontecem.
Subimos na van. Recepcionados por uma guia falante, seguimos em busca de outros turistas para finalmente pegarmos a Rota Nacional 3.

Uma chuva calma lá fora. Uma inquietação aqui dentro. Tempo cinza lá fora. Tempo cinza também aqui dentro.

Avançando pela estrada sinuosa chegamos ao Paso Garibaldi, um mirante que creio eu, em dias de céu aberto, seja possível avistar o Lago Escondido. Naquele dia, porém, o lago realmente estava bem escondido pelo nevoeiro.

Ao retornar para van depois de uma tentativa frustrada de fotografia no mirante e já bem ensopada pela chuva, meu ânimo ia se abatendo. O passeio que já não prometia muito, ia ladeira abaixo no rol das expectativas.

Meu irmão tentou me animar. Recordou-me que o próximo Lago ficava na falha geológica chamada Magalhães-Fagnano, uma das mais ativas do mundo, registrando entre 10 e 12 mil sismos por ano, argumento este que ele julgava importante para animar uma geógrafa.

Lago Fagnano
Então chegamos ao Fagnano, também chamado Lago Khami, que divide a Argentina e o Chile.E como num passe de mágica, o sol se fez presente. E Fagnano então tomou a forma de um grande espelho, silencioso, refletindo a paisagem ao redor. Curioso pensar que aquela superfície tão calma repousa sobre uma tumultuada estrutura geológica. Assim também somos nós, aparentemente serenos por fora enquanto por dentro somos sacudidos violentamente pela inquietação dos pensamentos.

Ainda olhando para o Lago, entrei na Estância La Carmen, um ponto de apoio ao turista. No interior, encontrei uma lareira onde pude me aquecer.

Capela da Virgem da Medalha Milagrosa
Logo a guia nos convidou para um passeio às margens do lago. Decidi ficar. Enquanto o grupo se afastava, resolvi explorar o bosque em frente ao lago e logo encontrei um senda que subia uma pequena encosta. Segui o caminho. Alma agitada. E foi aí que algo aconteceu... no final da pequena subida encontrei uma capela de uma virgem, a Virgem da Medalha Milagrosa.

Há pessoas que se encontram com Deus em uma cabana, algumas se encontram nos templos, outras quando seguram seus filhos nos braços pela primeira vez. Eu me encontrei com Deus ali, no meio daquele bosque. Ao me dar conta, já estava de joelhos no chão úmido, sob o peso de tantos questionamentos que vinha trazendo dentro de mim. E enquanto as lágrimas corriam, toda dor parecia ir embora aos pés daquele pequeno santuário. Quando estamos angustiados, já estamos fazendo uma prece sem perceber.

Fiz as perguntas que precisava fazer, ainda que Deus, obviamente, não precisasse respondê-las. Parte do processo da fé passa exatamente por acreditar em coisas que não necessariamente são palpáveis. E sentada no chão, fui invadida por uma paz que há tempos não sentia. Seria possível, afinal, ter que ir até o fim do mundo para viver uma experiência tão espiritual como essa?

Fato é que quando perguntamos para Deus, precisamos não apenas estar atentos para as respostas que podem chegar de maneiras sutis, como também estar preparados para elas.

Sentada às margens do Fagnano
Me despedi da capela e voltei às margens do lago, onde fiquei por um bom tempo contemplando as pedras arredondadas do chão. Logo o grupo chegou e me reuni a eles, para irmos avistar os castores.
Partia, naquele 4 de março me sentindo estranhamente mais leve. E na resposta de Deus, não houve demora. Chegaria sutilmente 4 dias depois,  tocando meu coração sob a forma de prosa.

Castoreira
Quer saber como chegar ao Lago Fagnano?

Há duas opções: você pode contratar um passeio convencional que segue pela Rota Nacional 3 até o Lago ou então fazer a opção off-road que vai pela antiga Rota 3, com um pouco mais de adrenalina.
O passeio é tranquilo para idosos e crianças.

Caso opte por fazê-lo na parte da tarde, será possível tentar o avistamento de castores, que ficam ativos tão logo o sol começa a se por no horizonte.