sábado, 24 de julho de 2021

Pra que mar, se Minas tem Capitólio, uai?

Vou começar esse texto com uma polêmica das bravas!

Cidade refletida no lago
Os amantes de praia que me perdoem, mas quem precisa de mar quando se tem cachoeira?

Postei e saí correndo, mas já estou de volta para escrever sobre as belezas de Capitólio.

Com pouco mais de 8 mil habitantes, Capitólio é uma das 34 cidades banhadas pelo Lago de Furnas - um dos maiores lagos artificiais do mundo - apelidado carinhosamente de Mar de Minas,
correspondendo a aproximadamente 5 baías de Guanabara.

Fiquei 2 dias e meio na cidade (09,10 e 11/07/21) e já dou um spoiler: não é suficiente para explorar tanta beleza que há nesse local! E como o tempo era curto, priorizei alguns passeios que já havia pesquisado na internet e que morria de vontade de fazer: navegar de lancha pelo cânion, trilhas, cachoeiras e o famoso mirante - cartão postal da cidade.

Vamos começar pelo famoso passeio pelo Lago de Furnas! 

Passeio de lancha

Para navegar pelo Lago de Furnas há diversas opções como os passeios de lancha mais curtos (em torno de 3 horas de duração, que costumam partir da Ponte do Rio Turvo); os passeios mais longos (até 7 horas de duração), além de opções de chalanas.

Eu optei pelo mais longo (7 horas) e contratei o passeio com @alexandrecendon e @adrianagomes_0 e eu simplesmente amei o atendimento da Adriana pelo whats, as explicações que ela me deu, bem como o passeio em si. A lancha era super nova, tudo limpinho, o piloto muito simpático. Há também opções de passeios privativos e para consultar os valores, você pode contatá-los nos perfis mencionados acima.


Lago de Furnas
Partindo da Marina Escarpas (localizada na Estrada Capitólio - Escarpas do lago, km 02, Condomínio Lago Vitória), nosso roteiro passou pelos seguintes pontos:

  • Lagão (área de maior diâmetro do lago de Furnas);
  • Cascatinha;
  • Lagoa azul - com parada de 50 minutos para banho;
  • Vale dos Tucanos - também com parada de 30 minutos para banho;
  • Cachoeirinha da ilha - 30 minutos para banho;
  • Porto Escarpas
  • Restaurante Kanto da Ilha - onde desfrutamos de um almoço maravilhoso (valor não incluso no passeio), cerveja artesanal produzida pela Cervejaria Scarpas e uma vista incrível do lago.

Durante o passeio, a lancha fez uma parada em um posto BR flutuante que possui loja de conveniência e um bar flutuante, onde é possível curtir o visual enquanto aprecia uma cervejinha gelada.

A água incrivelmente esverdeada contrasta com os paredões de quartzito de tonalidades amareladas, num cenário de tirar o fôlego! As quedas d'água, com volume de água bem baixo por causa da estação seca, contrastando com o céu incrivelmente azul de inverno, completava as paisagens entre os cânions. 

Confesso que desci da lancha ao final do passeio completamente deslumbrada.

Trilhas e cachoeiras

No Limite
No dia seguinte (sábado 10/07), optei por fazer algo que gosto muito: trilhas e cachoeira.

Aqui vale um adendo importante: a maioria das cachoeiras de Capitólio fica em propriedades particulares e portanto, a entrada é paga.

O EcoParque Trilha do Sol - um complexo que possui infraestrutura com banheiro, piscina, restaurante, monitores, redário - oferece uma trilha
de nível fácil, que acessa 3 cachoeiras em seu percurso: No Limite, Do Grito e Poço Dourado.

O horário que você inicia a trilha determina a ordem da visitação das cachoeiras, mas não se preocupe, pois os monitores irão orientá-lo sobre qual caminho fazer!

Como cheguei cedo (9 horas), iniciei pela Cachoeira No Limite, que eu elegi a mais bonita de todas, embora não seja a mais famosa.

Como o próprio nome da trilha sugere, o sol bate a pino durante a caminhada, pois a vegetação típica de cerrado não oferece grandes sombras. Portanto, proteja-se utilizando protetor solar e bebendo bastante água. É bem fácil desidratar e nem perceber, pois como o clima está bem seco, nosso suor evapora rapidamente e não percebemos que estamos perdendo muito líquido.

Do Grito
A segunda cachoeira visitada foi a Do Grito, que oferece uma área com um piscina natural que estava relativamente baixa (creio que pela estação de seca) e abaixo da queda d'água era possível caminhar até uma pequena "prainha".

Por último, a famosa cachoeira do Poço Dourado, que recebe esse nome por causa da coloração que seu poço adquire com a incidência da luz solar nos paredões amarelados, que refletem sobre as águas. Entretanto, para chegar ao poço dourado, é necessário percorrer um caminho de aproximadamente 80 metros pelas águas gélidas, cuja profundidade varia da canela à cintura (para pessoas baixas como eu, que tenho 1,57 de altura).

Santuário Poço Dourado
O poço dourado guarda outra preciosidade além de sua cor mágica: os paredões de quartzito foram transformados em um santuário pelos visitantes: cada pessoa pode colher as pedras do leito do poço e empilhá-las, construindo um "totem". Reza a lenda que se você fizer o seu pedido e o totem não desmoronar, o pedido será alcançado. Por via das dúvidas, criei o meu totem, projetei nele meu desejo e quero voltar daqui um tempo para contar se ele se realizou ou não.

Finalizando a trilha e as visitas às cachoeiras, super recomendo o restaurante do local e deixo aqui as minhas indicações do Porco na lata e da Tilápia recheada com palmito e queijo, acompanhada de arroz verde. Para os vegetarianos e veganos, também há opções. 

Cartão postal

Mirante do Cânyon

O mirante do cânion é considerado o cartão postal de Capitólio. Saindo do EcoParque Trilha do Sol, basta seguir a MG 050 até o km 312 para acessar o Parque Mirante dos Canyons (consulte valores de entrada e horário de funcionamento atualizados diretamente na página do parque).

Lá é possível fazer duas pequenas trilhas: uma que leva até a Ponte Pênsil e ao mirante - sendo este o mais tradicional e o que vemos nas fotos dos turistas -  e outra que leva a um novo mirante, suspenso no vale por meio de uma plataforma.

Mirante da hidrelétrica de Furnas

Mirante de Furnas
Para quem quer uma opção gratuita, basta seguir sentido Passos e acessar a hidrelétrica de Furnas. Lá também há um mirante para o vale, embora não com uma vista tão privilegiada como o do parque do cânyons. Dizem que o pôr-do-sol lá na hidrelétrica é incrível, mas como eu saí do Parque Mirante dos Canyons com o sol avançado no horizonte, não arrisquei ir à usina. Como ela ficava no meu caminho de volta, passei em Furnas quando estava retornando à São Paulo. 

A visita vale pela magnitude da obra e pela vista, embora o nível da água estivesse bem baixo por conta da estação seca.

Não podia faltar o queijo, uai!

Visitar Minas Gerais e não comer um queijo e um doce de leite é quase um desaforo!

Um rapaz simpático me deu a dica do Empório Queijos Califórnia quando eu estava na Trilha do Sol e eu digo que vale a pena passar por lá quando estiver retornando à Capitólio, já que o empório fica na mesma rodovia da Trilha do Sol e do Mirante dos Cânyons.

Lá você poderá degustar diversos queijos, doce de leite, goiabada e levar um "trem" bem gostoso para casa!

Hospedagem em Capitólio

Chalé Recanto das Garças
Eu sou adepta das hospedagens mais aconchegantes, onde eu tenha a sensação de que estou na minha casa. Por conta do cenário de pandemia, também tenho preferido lugares mais privativos, nos quais eu não tenha tanto contato com outras pessoas.

Recebi a indicação de uma amiga que conheci em Cunha/SP de um chalé. Desde o primeiro contato, a Rose foi muito atenciosa, me enviou fotos e eu fiquei apaixonada!

Tudo foi impecável! Limpeza nota 10, a localização bem pertinho do centro, fácil acesso, confortável e com preço excelente. Me senti realmente em casa e por isso vou deixar a indicação aqui: Chalé Recanto das Garças.

E você? Já conhece o Mar de Minas Gerais? Se não conhece, anota aí na sua agenda e se programe para fazer uma visita a Capitólio!

Garanto que você vai se apaixonar!


domingo, 4 de julho de 2021

Cunha: uma cidade repleta de história, arte e natureza!

Estamos vivendo há um ano e meio um cenário de pandemia e embora a nossa vontade de viajar não tenha desaparecido, as possibilidades ficaram sim, um tanto restritas.

Enquanto não é possível retomar as longas horas de voo e os destinos mais distantes, a gente acaba (re) aprendendo a lançar um olhar para o quintal de casa: viagens mais curtas, de carro, dentro do nosso próprio estado ou estados vizinhos.

Confesso que fiz algumas descobertas turísticas interessantes nesse período. Eu, que sempre gostei muito de trekkings e contato com a natureza, passei a explorar um pouco mais esse tipo de roteiro. 

Visitei o Parque Nacional do Itatiaia - estou devendo um post aqui, mas breve postarei; fiz um pedal insano em Campos do Jordão, longe da badalação característica do centro da cidade; fiz algumas trilhas pela Cuesta em Botucatu e mais recentemente, fui explorar Cunha, uma cidade no Vale do Paraíba que acabou me surpreendendo muito pela variedade de opções de passeios para realizar.

Vamos conhecer um pouquinho mais dessa cidadezinha pitoresca?

Cunha fica localizada na Região do Vale do Paraíba e de lá é possível acessar rapidamente o estado do Rio de Janeiro, chegando até Paraty. Isso mesmo! Se você tiver tempo, vale a pena dar uma esticada e fazer uma dobradinha entre essas duas cidades.

Com pouco mais de 20 mil habitantes, a cidade em si não é uma das mais bonitas que já visitei.

Você tem sempre a impressão de que vai despencar de algum morro caso você faça alguma curva rápido demais pelas ruas estreitas. E provavelmente vai mesmo! A cidade se estende por um vale e tem cada subida e descida por lá que não é brincadeira. 

Mas vamos aos atrativos turísticos!


Cunha é repleta de história e natureza. Alguns trechos da Estrada Real, que era utilizada para transportar ouro e pedras preciosas de Minas Gerais para Paraty, passam por Cunha. Confesso que ainda quero dedicar um tempo para percorrer essa estrada, mas esse é tema para uma próxima viagem!

Eu cheguei até Cunha movida pela curiosidade de conhecer o Lavandário, após a leitura de um livro escrito por um amigo, que mencionava esse lugar. Isso mesmo! Em Cunha há um cultivo de lavandas com mais de 40 mil pés de diversos tipos e há flores durante todo o ano

para se observar, devido o sistema de poda rotativa.

  • Lavandas

O Lavandário fica na estrada Paraty-Cunha e as visitações são abertas de sexta a domingo. Vale muito a pena pela beleza do lugar, que tem uma vista maravilhosa para o vale. Também é possível comprar produtos à base de lavanda e outras flores como gerânio, verbena e também experimentar algumas delícias que levam a lavanda em suas receitas, como sorvetes, cafés e bolos. Valores, horários e outras informações, podem ser consultadas na página do Lavandário.

  • Arte cerâmica


Desde 1975, quando recebeu os fornos Noborigama, a  cidade também passou a ser uma referência em arte cerâmica de qualidade. No Brasil, há pouco mais de 20 desses fornos, sendo que 6 deles encontram-se em Cunha. Eu visitei o Ateliê Suenaga & Jardineiro e lá é possível observar o forno. Além do Suenaga, há vários ateliês para visitação e aquisição de peças lindíssimas!

Cerveja

Na mesma estrada do Lavandário é possível encontrar o Ateliê da Cerveja

Caminho do Ouro, onde são servidas cervejas artesanais com aromas nobres e marcantes, feitas com insumos de altíssima qualidade, segundo a página do ateliê. Eu realmente gostei muito da cerveja, do ambiente e também da comida. Recomendo provar a truta ao pesto de pinhão, simplesmente maravilhosa! Eles também possuem um deck superior onde é possível assistir ao pôr do sol, que é um espetáculo a parte. 

  • Belezas naturais

Cunha é cheia de atrativos naturais, sendo uma das portas de entrada do Parque Estadual da Serra do Mar (Núcleo Cunha). Infelizmente não tive tempo de explorar o parque, por isso quero retornar à cidade com mais tempo. Ainda assim, é possível visitar algumas cachoeiras, que são relativamente de fácil acesso por meio de uma estrada de terra com alguns trechos de calçamento.


Minha opção foi visitar a Cachoeira do Pimenta, que possui várias quedas e uma pequena trilha íngreme bem sinalizada que leva até a cabeceira da queda, formada por uma antiga represa. Gostaria de ter visitado a Cachoeira do Desterro também, mas por algum motivo, passamos batido na placa de sinalização e não a localizamos.

Super aproveitei a cidade nas 24 horas que fiquei por lá, mas ainda há muita coisa aqui na minha listinha que eu quero fazer!

 que faltou fazer?

Trilha até a Pedra da Macela. Dizem que o nascer do sol lá é simplesmente imperdível! Do alto da pedra é possível avistar as baías de Paraty, Angra dos Reis e Ilha Grande, então, imagina só o visual incrível!

Parque Estadual da Serra do Mar: há diversas trilhas que podem ser realizadas. Algumas necessitam de acompanhamento de guia. Na página do parque há informações mais detalhadas.

Vinícola Monte Castelo: situada na mesma rodovia do Lavandário da da cervejaria, é possível degustar vinhos e fazer refeições. Eu fiquei hospedada na pousada que pertence a essa vinícola - Pousada Vinícola Vale do Vinho -  mas infelizmente lá não está acontecendo mais as degustações desde o início da pandemia.

E, pasmem! Cunha tem um Olival! Isso mesmo, um cultivo de jovens oliveiras, também aberto a visitações.

Como vocês puderam observar, Cunha foi uma caixinha de surpresas muito positiva e que merece um texto parte 2 - o retorno!

Me aguardem!

domingo, 14 de março de 2021

O espírito aventureiro e a Rota Nacional 3

Quem nunca sonhou largar tudo e sair por aí, viajando, conhecendo diversos países?

Se você também já foi acometido por esses pensamentos em algum momento, não vá embora desse texto, porque ele é pra você!

Partindo da enseada Zaratiegui onde fica o Correio do Fim do Mundo, nossa próxima parada é a baía Lapataia, que marca o final da Rota Nacional 3. Mas afinal, o que isso tem de tão especial?

Panamerican highway

 A rota panamericana liga o Fairbanks no Alasca - América do Norte a Ushuaia na Argentina - extremo sul da América do Sul e é uma das maiores extensões rodoviárias do mundo com mais de 30 mil quilômetros, interrompidos em um pequeno trecho entre Colômbia e Panamá. Em cada país por onde passa, a rota panamericana assume um nome e em solo argentino, ela é a lendária Rota Nacional 3, cujo fim é na baía Lapataia.

Para os viajantes e aventureiros de espírito livre, percorrer a rota panamericana se assemelha com o sonho da Rota 66 em solo americano, mas com um diferencial: a panamericana atravessa mais de 10 países, cruzando paisagens e culturas únicas, materializando o sonho de viajar o mundo.

E para deixar a rota ainda mais interessante, o viajante tem a possibilidade de conquistar um carimbo

especial em seu passaporte: uma metade deste carimbo se encontra em Ushuaia, no Moto Café 3005 e a outra metade na cidade de Tok, no Alasca.

Eu já garanti uma metade do carimbo! E alguém duvida que irei atrás da outra metade quando a pandemia acabar?

E você? Qual é o carimbo que você sonha ter em seu passaporte? Me conta!

sábado, 10 de outubro de 2020

O cicloturismo como uma alternativa na pandemia

 Quem me conhece bem sabe que amo viajar (quem não??? rsrs) e a pandemia do novo corona vírus afetou não apenas os nossos deslocamentos, mas algo que me impactou muito, particularmente: a capacidade de sonhar.

Por que digo isso?

Como o próprio nome desse blog diz, viajar de vez em quando é uma realidade para mim. Sou trabalhadora de carteira assinada (ainda que me aventure no empreendedorismo), bato cartão e como todo bom trabalhador, só faço uma viagem grande (10 dias) por ano e outras pequenas quando os feriados são prolongados e assim o permitem.

Mas a falta de tempo ou de dinheiro não nos impede de sonhar. A gente planeja, parcela um voo aqui, um hotel lá e vamos levando. Por mais dificuldades que encontrássemos, havia aquela certeza: no feriado do dia tal, vou para tal lugar.

Com o corona vírus isso entrou em suspenso. Não havia mais essa certeza. Não havia mais o quando. Não havia mais o plano.

Bem no comecinho de junho (antes de eu ser contaminada...sim, eu fui contaminada ainda que saísse da minha casa só par trabalhar, mas isso é história para um outro post) cheguei a fazer uma live com um grande amigo do Chile que trabalha com turismo, sobre as perspectivas de retomada. Mal sabíamos que a situação continuaria se estendendo por meses ainda e, diga-se de passagem,  San Pedro de Atacama não retomou as atividades turísticas até agora, nem mesmo flexibilizações.

Em meados de julho, passando aleatoriamente pelas postagens do Instagram vi um post do Daniel Rosalin Turismo de Jaú - minha cidade natal - sobre uma tal uma viagem para cicloturismo, que aconteceria em agosto e que se apresentava como uma alternativa diferenciada.

Confesso que não pensei duas vezes e mandei uma mensagem, dizendo que queria saber mais sobre. Afinal, o que seria o cicloturismo?

Daniel - com o qual eu já havia viajado alguns anos atrás para Porto Seguro - prontamente me encaminhou as informações solicitadas e eu achei a proposta simplesmente sensacional.

O destino: Campos do Jordão - uma cidade aqui de SP conhecida por ser a Suíça brasileira. 

A proposta: cada família viajaria com seu carro - sim, seguiríamos em comboio até Campos - como um grande grupo de amigos que se reúnem para passar um final de semana juntos.

O roteiro: realizar um passeio de bike na trilha da casa redonda. Ar livre, cada pessoa na sua bike, distanciamento. Simplesmente perfeito: turistar para pedalar!

Os únicos pontos que me causaram alguma insegurança foram: seria seguro fazer check-in, tomar café da manhã no hotel? Seria seguro me alimentar em algum restaurante? Eu aguentaria fazer o passeio tendo contraído Covid há 60 dias e estando com a capacidade respiratória tão comprometida ainda?

As dúvidas relacionadas a viagem rapidamente foram respondidas pelo Daniel, que me tranquilizou, informando que o hotel estava operando com a capacidade reduzida para não haver aglomerações; as filas de check-in e check-out organizadas com distanciamento e itens de higienização e o café da manhã estaria com o buffet self-service suspenso, tendo cada família que solicitar o que gostaria que compusesse seu café no ato do check-in, recebendo desta forma seu café devidamente embalado e protegido no dia seguinte.

Quanto a minha capacidade física para realizar o passeio, o Daniel também me tranquilizou, informando que 2 guias nos acompanhariam e que eu poderia fazer o passeio no meu ritmo.

Com todas as informações em mãos e sentindo que havia bastante segurança nos protocolos informados, fiz minha reserva!

Alguns dias antes da viagem repeti o teste de corona vírus para constatar que estava tudo ok. E então chegou o dia tão esperado: 15/08/2020! Nem acreditava que poderia finalmente passear!

Duas caminhonetes levaram as mais de 20 bikes das famílias que viajavam em seus respectivos carros.

Chegando em Campos do Jordão, controle rigoroso na entrada da cidade com aferição de temperatura, cadastro dos nomes dos turistas pela Secretaria de Saúde, orientações sobre como se proteger.

No hotel, tudo como o Daniel havia nos descrito: filas organizadas, sem qualquer aglomeração. Fomos muito bem recebidos pela equipe do hotel Dan Inn Premium e nos sentimos bastante protegidos.

Como já estava próximo das 11 da manhã, nos dirigimos de bike para o centro da cidade, rumo ao restaurante que o Daniel havia reservado: o Pátio Paris. Ocupamos o deck ao ar livre, apenas pessoas da mesma família podendo dividir a mesma mesa e com distanciamento das mesas entre si. Opções de cardápio apenas a la carte para garantir a segurança.

Logo após o almoço nos encontramos com os guias que nos conduziriam pela trilha em uma praça em frente ao restaurante. Orientações dadas, partimos para nosso passeio contando com um carro de apoio - nosso querido Homem aranha de motorista - que nos supriria com água fresca para nossas garrafinhas, além de frutas para repor as energias e alguma assistência técnica, se necessário.

A paisagem era de tirar o fôlego! Pedalando pelos mares de morros, podemos contemplar Campos do Jordão por uma perspectiva diferente do turista convencional, com uma sensação de liberdade quase que surreal depois de tantos meses trancados em nossas casas. Todos estavam muito felizes, era possível ver pelas expressões, pelas risadas.

E você deve estar se perguntando como foi a trilha para mim, pós infecção por corona vírus. Bom, confesso que foi muito, muito, muito desafiadora. Cheguei a pensar em desistir várias vezes. O ar parecia custar a entrar pelo meu corpo e o fato de estar sem fazer qualquer atividade física desde março - quando voltei de Ushuaia e a pandemia explodiu - cobrou seu preço: as pernas queimavam e o cansaço era de uma força inacreditável. Chorei algumas vezes, porque não queria desistir do pedal. Empurrei a bicicleta grandes trechos porque não conseguia pedalar - faltava ar e pernas. Mas a superação reside não apenas na nossa capacidade física mas no mental, que veio em grande parte da força do grupo, sempre me incentivando a não desistir. Havia sempre algum ciclista que ficava para trás dando um apoio moral, dizendo que eu ia conseguir.

E assim concluí os 20 quilômetros propostos com muita determinação e, principalmente, muita ajuda dos colegas de viagem.

Retornando ao hotel, confesso que não tive pique para ir a algum restaurante jantar. Alguns colegas foram e relataram que os protocolos de segurança estavam sendo cumpridos. Preferi pedir um prato por aplicativo e comer no conforto do meu quarto, visto que todos os meu músculos doíam absurdamente rsrsrsrs.

No dia seguinte, devidamente restaurada após uma boa noite de sono, seguimos em comboio por alguns pontos turísticos da cidade, como o Pico do Itapeva por exemplo.

E assim finalizamos nossa primeira viagem em tempos de pandemia, onde tivemos que nos reinventar também enquanto turistas para mantermos todos do grupo em segurança.

Obrigada equipe Daniel Rosalin pela acolhida! Estamos esperando o próximo convite para ciclo turismo!